Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?

Ah o sabor do novo. Tantas vezes o sentimos ao nos depararmos com alguma coisa diferente que estamos prestes a fazer. Na adolescência aquela sensação de borboletas afoitas no estômago são constantes.  O fato de não sabermos ao certo o que nos espera, trazem elas de novo mexendo com os nossos sentidos.

 

O novo têm sabor. Ele por vezes é doce outras vezes amargo, mas não importa muito, o bom é sentí-lo. Ai eu te pergunto: de quanto em quanto tempo você se permite fazer alguma coisa diferente e pela primeira vez? Não muitas, talvez. A rotina te pegou. Você está sempre sem tempo. E quando o têm, quer mais é colocar os pés pro alto e relaxar, sem se dar ao trabalho de começar alguma coisa outra vez.

 

Como pensar em algo novo, se o velho toma demasiadamente o seu tempo né? Pois é. Ao se ver preso no que já está habituado a fazer diariamente, vai aos poucos perdendo a oportunidade de se deparar com coisas que poderiam dar novo sentido aos seus dias.

 

O fato de passarmos muitas horas fazendo a mesma coisa, como àqueles que tem que acordar cedo pra trabalhar todos os dias, aprontar as crianças para levar à escola, depois voltar pra casa tarde da noite enfrentando o rush e quando lá está já não tem forças para mais nada, provoca aos poucos a falta de brilho para a vida. É fácil manter uma rotina, difícil é tomar coragem para sair dela.

 

Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Aqui pergunto de novo, como lá no título desta coluna. Se você for atrás do que já desejou ao longo da vida, será que conseguiu realizar tudo o que sempre quis? Posso errar ao dizer que duvido, mas tenho uma estranha certeza de que sua resposta terá sido não. Não fiz nem metade. Pois bem. Tá esperando o quê?

 

Quer ser fotógrafo? Vai atrás de um curso de fotografia. Sempre teve vontade de encarar as pistas de danças com passos de jazz? Na sua cidade devem haver centenas de escolas de dança! Tá se achando velho demais para encarar um intercâmbio, mesmo isto tendo sido o seu maior desejo não realizado? Bobagem, há várias agências de viagem apostando em grupos de interessados em intercâmbios já acima dos 20 anos.

 

Encare seu medo do novo. Fuja do conceito de vida de que devemos nascer, estudar, trabalhar e morrer. Se formos seguir o percurso que dizem que devemos, nunca nos permitiremos o delicioso gosto que tem as coisas feitas pela primeira vez. E mesmo que você comece algo agora, desfrutando o sabor desse início, e depois perca o interesse, há tantas e tantas outras coisas que você ainda poderá fazer.

 

Ande de trem, ande de avião, suba numa corda de slackline, pule de paraquedas, viaje, permita-se. Como dizem: “para morrer basta estar vivo” e como nem você e nem eu sabemos quando é que o prazer de viver será encurtado por diversas possibilidades, acho que está mais do que na hora de encarar este fato como algo inevitável e desfrutar sem dúvidas deste tempo que você tem agora e que é um presente.

 

Vou te confessar o que me inspirou a escrever esta coluna. Assisti recentemente ao filme Silver Linings, que no Brasil ficou “O lado bom da vida”. Um filme com o bonitão Bradley Cooper e a mais nova aposta de Hollywood Jennifer Lawrence, em que o foco é fazer algo que nunca foi feito pela primeira vez. Tudo bem que a proposta mesmo do filme não é essa. Os dois tem distúrbios de comportamento e acham que na experiência de se envolverem com algo que nunca fizeram, que é dançar, acharão a forma de lidar com seus medos e dúvidas. Ele num primeiro momento nem vê desta forma, mas depois encara o desafio como uma proposta de mostrar que é capaz de ser diferente, e ela, o mesmo.

 

Quando o assisti fiquei pensando em quantas coisas eu ainda quero fazer na minha vida e fico sempre arrumando uma desculpa para começar e quis compartilhar esta visão com você. Que como eu sem dúvida tem algum desejo em particular, mas vai deixando pra depois, acreditando que a vida é pra sempre, ainda que no seu inconsciente você saiba que não é. E como Renato Russo já cantou: o pra sempre, sempre acaba. Bóra então colocar em prática algo novo e pra ontem?

 

Cherrine Cardoso.