O Valor da Palavra (1)

Alguma vez você já perguntou para si quanto vale a sua palavra? Não apenas o quanto vale perante as pessoas ao seu redor, à sociedade em geral; mas o quanto vale para você mesmo a sua própria palavra?
Talvez num primeiro momento, sem uma análise mais profunda você diga: “Minha palavra vale muito.” “Eu cumpro com a minha palavra.” Mas quantas vezes você disse que iria ao cinema com os amigos e não foi? Lembra de quando falou que iria viajar no final do ano e não foi?
Pois é, sua palavra deve ter o mesmo valor tanto nas coisas mais simples quanto nos compromissos mais sérios, uma vez que esse valor não está relacionado as coisas em si, mas à ‘palavra’ em si. O substantivo feminino ‘palavra’ vem do latim ‘parábola e significa som, termo, vocábulo, compromisso verbal. Justamente essa última definição é o ponto central dessa coluna. Antigamente, numa época não muito longínqua, o contrato verbal era aceito no mundo das Ciências Jurídicas, mais precisamente, no mundo do Direito. Já presenciei meu avô, um advogado que começou na profissão na década de 40, fechar negócios, talvez não muito vantajosos do ponto de vista do vil metal pelo simples fato de ter dado sua palavra, ter se ‘comprometido verbalmente’. Para alguns dos nossos antepassados a palavra realmente tinha valor, valia mais que até mesmo o vil metal. O compromisso verbal era uma questão de honra.
Hoje, num mundo em constante evolução e progresso, onde tudo muda muito rápido, temos que ter a capacidade da acompanharmos essas transformações. Mas há algo muito importante que não deveria mudar: nossa essência.
Quando comecei a trabalhar com auto-conhecimento há quase uma década atrás, estava realmente desconectado de minha essência, e a prática do Yôga, mais precisamente do Yôga Antigo que hoje é chamado de SwáSthya Yôga, me proporcionou e me proporciona esse contato com minha essência.
Através do aumento da percepção, comecei a compreender que quando você não cumpre com a sua palavra, com o que você se comprometeu, não está sendo desonesto apenas com os outros, mas também com você mesmo. E isso é a pior coisa que pode acontecer.
Muitas vezes falamos as coisas, como se costuma dizer, ‘da boca para fora’, e o pior de tudo é que naquele momento estamos sendo sinceros em nossas intenções, mas sem avaliar se realmente podemos cumprir com o prometido. Assim, toda vez que não cumprimos com o estabelecido, estamos reforçando em nosso inconsciente uma incapacidade de realização, e nas próximas vezes em que você estabelecer algo, seja um projeto, ou a viagem dos sonhos, talvez você não concretize, pois lá no seu inconsciente está registrado que você não cumpre com o que estabelece.
Você está perdendo o seu melhor amigo: você mesmo!
O que fazer então? Chorar? Desesperar-se? Claro que não! Comece mudando essa rotina viciosa. Mas comece pelas pequenas coisas. Tome cuidado para dizer somente aquilo que tem certeza de que pode cumprir (se estiver em dúvida jamais fale). Se falou que iria ao cinema no final de semana, vá. Mesmo que chova canivetes!
Tenha certeza: em pouco tempo você perceberá o real poder de suas palavras e sua capacidade infinita de realização.
Marcelo Mendonça