O CORPO QUE EU FAÇO.

Lembro de certa vez (a long time ago) ouvir meu pai comentando com a minha mãe sobre as minhas pernas tortas. Ali, ainda criança, eu comecei a construir um corpo. Na medida em que crescia e percebia suas mudanças, mais eu o escondia. Chegando à adolescência, não percebia o quão sensual pode ser um corpo, mesmo aqueles que não estão dentro dos atuais padrões de beleza. Noutra ocasião, trocando sem perceber alguns paradigmas por outros, comecei a expô-lo um pouco mais. Ainda assim, sem qualquer sensualidade.
Até que um dia, na rua, percebi alguém me olhando. Mais do que isso: percebi que adorei perceber alguém me olhando. Desta forma, espontaneamente eu comecei a mudar minha postura. Apreciando mais a diversidade gastronômica, comecei a construir outro corpo, o adiposo. Sedentária, outro ainda. Passados os anos, mais um. Emoções fortes e constantes, outro ainda.
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A ruptura constante com o corpo da infância e o da adolescência acontece o tempo todo. Todos os dias construímos nosso corpo através dos hábitos. Sejam de postura, de alimentação, hidratação, atividade física ou a falta dela, condicionamentos mentais e emocionais.
Por incrível que pareça, estes condicionamentos têm muito mais peso na construção diária do nosso veículo físico. Mas podemos escolher a maneira como queremos construí-lo. De uma forma ou outra, cada um tem responsabilidade absoluta sobre ele. O corpo é o nosso mais importante patrimônio. Talvez o único e real patrimônio.
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Os demais são efêmeros.
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Muitos de nós somos cegos aos poderes que possuímos: nosso mecanismo biológico corporal é perfeitamente capaz de cuidar-se sozinho e nos dá incessantes sinalizações quando algo está errado. Mas nem sempre aproveitamos os dispositivos corporais de autoproteção. Ao invés disso, colocamos nossas vidas nas mãos de especialistas sem considerar a estreiteza de visão de muitos deles. Atitudes tradicionais, como uma criteriosa seleção alimentar, técnicas de descontração, auto-observação, gerenciamento do stress, amigos e alegria sinceros, atividade física regular, sexo seguro, afeto etc., podem muito bem mudar a construção do nosso corpo e dilatar a nossa longevidade para muito além daquilo que a nossa herança genética havia previsto para nós.
Desde os tempos mais remotos fazemos do nosso corpo um objeto cultural.
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É ele que exprime uma série de significações que permitem com que os outros nos reconheçam e nos aceitem como membros de um grupo.
Nossas ações, inclusive, seguem uma lógica acordada com a nossa cultura e o meio dentro do qual nascemos, crescemos e ou estamos inseridos (egrégora).
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Independentemente do meio, nossa conduta deve ser fundamentada em atitude reta, boas relações interpessoais, aprimoramento constante, civilidade, reação proporcional ao fato, alta performance, entre outros, de maneira, que ao deitar para dormir, façamos isso serenamente, sem maiores preocupações, tendo como resultado natural um incrível potencial realizador e uma expressiva qualidade de vida. Cuidemos bem do nosso patrimônio corporal, mantendo-o organizado como se fosse a nossa casa.
Um beijo!
Lucila