ESCOLHA INTELIGENTE

Fumar não parece ser uma escolha inteligente

Basta estar vivo para conviver com pressões que nos exigem consecutivas e ininterruptas escolhas, feitas essencialmente sob critérios emocionais e não racionais.

Estabelecemos relações profundas com as pessoas à nossa volta, criamos parâmetros, formamos opiniões, interferimos mesmo sem perceber na atmosfera do ambiente ao nosso redor. Tudo isso exige de nós uma incrível habilidade de adaptação. E, como conseqüência, muitos de nós vivemos uma rotina tão regrada, que passamos a entender as sinalizações positivas ou negativas do corpo como sendo algo normal.

Vamos pegar como exemplo um fumante: levar o cigarro à boca, tragar e soprar. Cigarro à boca, tragar e soprar. Sucessivas vezes. No início, o corpo sente uma tontura, ás vezes enjoo, mas com o passar do tempo, já nem percebe mais a quantidade imensa de toxinas que está sendo assimilada ao mesmo tempo. E um prazer volátil toma conta da mente do fumante, enquanto a droga toma conta do corpo…

E isso passa a ser tão rotineiro, que o fumante também perde a noção de etiqueta e fuma inclusive em ambientes onde estão outras pessoas, impondo às mesmas um hábito que não é o delas. Vamos e venhamos: isso é démodé. Imagine este hábito durante anos. Estabelecida a rotina, criamos um modelo corporal condicionado; dessa forma, não fazemos nada para mudar aquilo que já estamos acostumados, ainda que saibamos plenamente o alto preço que essa “escolha por omissão” nos causa.

Para transformar o condicionamento de fumar, pensemos, por exemplo, na respiração como um ritmo gradual e extremamente sofisticado, e ininterrupto por toda uma vida, mas cujo ciclo é alterado abruptamente a cada cigarro fumado. Considerando que toda variação emocional interfere diretamente na respiração (quando estamos com medo ficamos ofegantes, apaixonados suspiramos à toa…) e levando em conta que o oposto também é verdadeiro: há estreita relação entre o ato respiratório e os diversos estados de consciência, podemos, então, concluir que fumar pode sim promover alterações sobre o nosso humor, e este, por sua vez, na agilidade e perspicácia das nossas escolhas. E são essas mesmas escolhas – corretas ou não – que moldam nosso futuro imediato e distante.

Fumar diminui a liberdade diafragmática, altera o olfato e outras percepções sensoriais, muda o cheiro do fumante, a cor da pele e até a voz, que fica prejudicada. Causa ainda o envelhecimento precoce e o aparecimento de mais rugas (principalmente em torno da boca), além de reduzir a sensibilidade corporal. Isso sem falar nas doenças mais graves, que todos já temos conhecimento.

Para quem fuma, fica a dica de fazer a escolha certa: mudar o modelo respiratório condicionado por um modelo mais sofisticado e coerente com os objetivos de qualidade de vida e uma dilatada longevidade. Respirar de forma mais lenta e profunda, sentir a amplitude da respiração nutrindo todo o corpo e a atividade cerebral, isso não parece ser muito mais divertido do que tragar fumaça?

Por outro lado, se houver muita dificuldade em parar de fumar, já que uma das muitas leis que rege a natureza humana é a da resistência à mudança, lembre-se que assim também são os pensamentos: resistentes como rochas. Quanto mais resistirmos a eles, mais eles se firmam. Refletir sobre um hábito que você queira eliminar e concentrar-se exatamente no seu contrário, nas sensações e percepções produzidas pelo seu oposto, pode ser uma boa ferramenta para obter transformações rápidas e positivas na vida. Esse ensinamento não é novo, vem sendo repassado de geração a geração nos últimos 5 milênios.

Não só para eliminar o hábito de fumar, mas para qualquer coisa que queira mudar na vida, fica a dica de se conviver com a ideia do oposto, até que o velho hábito tenha dado lugar ao novo, mais inteligente e inspirador.

Bem-ser e bem-estar requerem muita disciplina e sabedoria nas escolhas.

Dito isso, mãos a obra!!

Lucila Silva