Código de ética

Muitos amigos e admiradores deste Movimento, nos escrevem solicitando ferramentas que lhe ajudem a adotar comportamentos mais conscientes em seu dia a dia. Então, encontramos inspiração em um código de ética bem interessantes. Trata-se de uma literatura bem antiga, escrita por Patañjali, hindu que viveu no século III a.C. (por isso você encontrará alguns termos em sânscrito) e dentro dessa literatura, selecionamos 8 normas éticas para você carregar em seu dia a dia.

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.I. AHIMSÁ / Não agressão!

A primeira norma ética é o ahimsá, a não-agressão. Deve ser entendido lato sensu.
O ser humano não deve agredir gratuitamente outro ser humano, nem os animais, nem a natureza em geral.
Não deve agredir fisicamente, nem por palavras, atitudes ou pensamentos.
Permitir que se perpetre uma agressão, podendo impedi-la e não o fazer, é acumpliciar-se no mesmo ato.
Derramar o sangue dos animais ou infligir-lhes sofrimento para alimentar-se de suas carnes mortas constitui barbárie indigna de uma pessoa sensível.
Ouvir uma acusação ou difamação e não advogar em defesa do acusado indefeso por ausência, constitui confissão de conivência.
Preceito moderador:
A observância de ahimsá não deve induzir à passividade. Você não pode ser passivo. Deve defender energicamente os seus direitos e aquilo em que acredita.
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II. SATYA – Verdade

A segunda norma ética é satya, a verdade.
Você não deve fazer o uso da inverdade, seja ela na forma de mentira, seja na forma de equívoco ou distorção na interpretação de um fato, seja na de omissão perante uma dessas duas circunstâncias.
Conseqüentemente, ouvir boatos e deixar que sejam divulgados é tão grave quanto passá-los adiante.
O boato mais grave é aquele que foi gerado com boa-fé, por falta de atenção à fidelidade do fato comentado, já que uma inverdade dita sem más intenções, tem mais credibilidade.
Emitir comentários sem o respaldo da verdade, sobre fatos ou pessoas, expressa inobservância à norma ética.
Preceito moderador:
A observância de satya não deve induzir à falta de tato ou de caridade, sob o pretexto de ter que dizer sempre a verdade. Há muitas formas de expressar a verdade.
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III. ASTÊYA – Não roubar

A terceira norma ética é astêya, não roubar.
Você não deve se apropriar de objetos, idéias, créditos ou méritos que sejam devidos a outrem.
Preceito moderador:
A observância de astêya não deve induzir à recusa da prosperidade quando ela representar melhor qualidade de vida, saúde e cultura para o indivíduo e sua família. Contudo, a opulência sem responsabilidade social é um roubo tácito.
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IV. APARIGRAHA – Não possessividade

A quarta norma ética é aparigraha, a não-possessividade.
Você não deve ser apegado aos seus bens e, ainda menos, aos dos demais.
Muitos dos que se “desapegam” estão apegados ao desejo de desapegar-se.
O verdadeiro desapego é aquele que renuncia à posse dos entes queridos, tais como familiares, amigos e, principalmente, cônjuges.
Os ciúmes e a inveja são manifestações censuráveis do desejo de posse de pessoas e de objetos ou realizações pertinentes a outros.
Preceito moderador:
A observância de aparigraha não deve induzir à displicência para com as propriedades confiadas à nossa guarda, nem à falta de zelo para com as pessoas que queremos bem.
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V. SANTÔSHA – Contentamento

A quinta norma ética é santôsha, o contentamento.
Você deve cultivar a arte de extrair contentamento de todas as situações.
O contentamento e sua antítese, o descontentamento, são independentes das circunstâncias geradoras. Surgem, crescem e cingem o indivíduo apenas devido à existência do gérmen desses sentimentos no âmago da personalidade.
Você deve manifestar constante contentamento em relação aos seus colegas e expressar isso através da solidariedade e apoio recíproco.
Preceito moderador:
A observância de santôsha não deve induzir à acomodação daqueles que usam o pretexto do contentamento para não se aperfeiçoar.
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VI. TAPAS – Auto superação

A sexta norma ética é tapas, auto-superação.
Você deve observar constante esforço sobre si mesmo em todos os momentos.
Esse esforço de auto-superação consiste numa atenção constante no sentido de fazer-se melhor a cada dia e aplica-se a todas as circunstâncias.
O cultivo da humildade e o da polidez constituem demonstração de tapas.
Manter a disciplina da prática deste códigos de ética é uma manifestação desta norma. Conter o impulso de expressar comentários maldosos sobre terceiros também é compreendido como correta interpretação desta observância.
Preceito moderador:
A observância de tapas não deve induzir ao fanatismo nem à repressão e, muito menos, a qualquer tipo de mortificação.
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VII. SWÁDHYÁYA – Auto estudo

A sétima norma ética é swádhyáya, o auto estudo.
Você deve buscar o autoconhecimento mediante a observação de si mesmo.
Esse auto-estudo também pode ser obtido através da concentração e meditação. Será auxiliado pela leitura de obras indicadas e, na mesma proporção, obstado por livros não recomendados pelo orientador competente.
O auto-estudo deve ser praticado ainda mediante a sociabilidade, o alargamento do círculo de amizades e o aprofundamento do companheirismo.
Preceito moderador:
A observância de swádhyáya não deve induzir à alienação do mundo exterior nem à adoção de atitudes que possam levar a comportamentos estranhos ou que denotem desajustes da personalidade.
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VIII. ÍSHWARA PRANIDHÁNA – Auto entrega

A oitava norma ética é íshwara pranidhána, a auto entrega.
Você deve estar sempre interiormente seguro e confiante em que a vida segue o seu curso, obedecendo a leis naturais e que todo esforço para a auto-superação deve ser conquistado sem ansiedade.
Durante o empenho da vontade e da dedicação a uma empreitada, a tensão da expectativa deve ser neutralizada pela prática do íshwara pranidhána.
Quando a consciência está tranqüila por ter tentado tudo e ainda assim não se haver conseguido o resultado ideal; quando a pessoa está literalmente impossibilitada de obter melhores conseqüências, esse é o momento de entregar o fruto das suas ações a uma vontade maior que a sua, cujos desígnios muitas vezes são incompreensíveis.
Preceito moderador:
A observância de íshwara pranidhána não deve induzir ao fatalismo nem à displicência.
Esperamos que este Código não seja causador de desunião.
Não seja ele usado para fins de patrulhamento ideológico, discriminação, manipulação nem perseguição. Nenhuma penalidade seja imposta por nenhum grupo aos eventuais descumpridores destas normas. A eles lhes bastará a desventura de não usufruir do privilégio de vivenciá-las. O amor e a tolerância são pérolas que enriquecem os mandamentos da nossa ética.