Carnes na alimentação do ser humano

Estou convencido de que toda pessoa sensível é uma pessoa vegetariana em potencial. Mas falta coragem para mudar, afinal, é preciso ter atitude. Que coisa mais estranha e incoerente alguém responder “não quero ver, não quero saber” quando você o convida para assistir a um documentário sobre a indústria das carnes. Estranho essa pessoa não querer saber qual a procedência daquilo que constitui seu corpo, sua matéria orgânica. Isso é o que eu chamo de identificação com a ignorância, ou, como escutei recentemente: ignorância voluntária. São pessoas ignorantes, que ignoram o que acontece e querem permanecer assim, mantendo abaixado o véu dos bastidores. Porque sabem, no fundo, que este véu está manchado de sangue no outro lado.

“O que me preocupa não é o grito dos maus,
mas sim o silêncio dos bons”

Esta frase – que tenho nos meus registros como de Martin Luther King – é muito correta. E vou parafraseá-la:

“O que me preocupa não é a inteligência dos maus,
mas sim a ignorância dos bons”

Esses dias eu estava conversando com um amigo, um cara inteligente,  e ele começou a falar de um documentário que passou na TV a cabo que mostrava um jovem vivendo por um tempo numa comunidade tribal. Numa das aventuras, este jovem teve que matar um pombo à mão. Acho que esguelando o bixo, com ele se debatendo, o sangue jorrando e tudo mais. Ele não conseguiu. Se não me engano o cara quase chorou, e passou mal, certamente. O mais absurdo de toda essa conversa, é que este meu amigo conseguiu concluir – em sua lógica muito exótica – que o ser humano precisa comer carnes para sobreviver. Sim, você leu certo, ele me veio com essa. Pois eu tive que mostrar a ele exatamente o oposto. O ser humano não foi feito para comer defunto, nem para matá-lo, nem para digerí-lo. Se naturalmente assim fosse, o rapazote do documentário teria conseguido. Não conseguiu. E o meu amigo teve que concordar comigo, mas não quis dar o braço totalmente a torcer, dizendo: “é, eu não tinha pensado por esse lado, dá para interpretar dessa forma também“. Nenhum humano é capaz de matar animais, não fomos projetados para isso. E mesmo que tivéssemos uma faca, não teríamos coragem. Com exceção das pessoas que passaram por um processo de dessensibilização, ou seja, perderam a sensibilidade e o amor, agindo com frieza, sangue frio, tal qual um assassino. Açougueiros geralmente desenvolvem isso com o tempo. Não foram poucos os filmes de terror que uniram os dois universos: açougue e assassinatos brutais.

Matar seres para banhar-se de suas carnes mortas não é algo digno de uma pessoa sensível. Lei do mais forte o escambau, meu amigo. Lei do mais forte é matar com suas próprias presas, dilacerar com seus próprios dentes e digerir com seu próprio estômago, sem utilizar sal de frutas e sem contrair câncer de cólon, sem irritar as mucosas dos órgãos, sem desenvolver urina ácida e sem provocar centenas de outros problemas de saúde.

Pare de dizer que é difícil mudar só porque seu marido come muita carne. Estou me dirigindo às mulheres propositalmente, porque ainda hoje elas seguem as diretrizes dos homens. “Se eu mudar, meu marido não vai gostar” ou “meu namorado não vai aceitar isso”. Acordem, mulheres. Mulheres são mais sensíveis e mais propensas a compreender a alimentação do ser humano. Homens são mais brutos. Certa vez eu tive a infelicidade de presenciar um estapafúrdio pai falando ao seu pequeno filho: “meninas brincam de bonecas e meninos comem carne“. Quase, quase dei uma tijolada na testa do jumento. Me faltou o tijolo. Me faltou o ímpeto violento também.

Homens, na verdade, são tão sensíveis quanto as mulheres, mas a criação dos homens é mais repressora. Cansei de ver menininhos não querendo comer carne e o pai dizendo que tem que comer, porque homem come carne – e bebe cerveja, claro. Já vi mães dizendo o mesmo, e isso ocorre quando a mulher está mais embrutecida, mas é mais raro.

Incutem em nossas cabeças que precisamos de carne por questão de saúde. Mas como o ícone da ciência Albert Einstein tornou-se um vegetariano justamente por questão de saúde? Como Darwin, Sócrates, Leonardo Da Vinci sobreviveram? Ou Voltaire? Como o nosso querido pugilista Éder Jofre conseguiu sobreviver a tantas lutas e se consagrar campeão mundial? É isso mesmo! Ignorar o vegetarianismo é ser ignorante. Sou vegetariano desde agosto de 2005 e estou muito bem. Aliás, melhorei muito minha saúde. Só comi soja cinco vezes desde então, e só para não fazer desfeita. Vegetariano não come soja, meu amigo. Carne é defunto e defunto não se substitui do carpápio, e sim elimina-se. Não importa se um nutricionista disse que precisamos substituir a carne com soja ou com outra coisa, pois eu conheço um nutricionista que disse o oposto! O meio acadêmico é contraditório e a teoria sempre perderá para o que se comprova na prática. Quer ouvir nutricionistas? Quer ouvir médicos, doutores e mestres falando sobre o assunto? Assista aos documentários abaixo. Não vá me dizer que falta tempo. Pois tempo, my friend, eu tenho certeza que você tem.