Autoaprimoramento canino

Imagine-se levando seu cãozinho consigo para todos os lugares, nos museus, praças, no cinema, inclusive nos elevadores, ônibus, metrôs e restaurantes!

Pois então, isso não é sonho, é realidade. Em países como a Áustria, Alemanha, Hungria e República Checa (que visitamos recentemente), nossos melhores amigos são aceitos em todos os lugares, sem olhares transversos, como se sempre tivessem freqüentado esses meios sociais.

Se causa transtornos? Jamais! É como se os cães soubessem que ali é um lugar de silêncio, de passeio, de aprendizado ou de conversa ao pé do ouvido. Vimos centenas de situações dessas, e em nenhuma delas ouvimos um único latido, nem mesmo quando havia vários animais no mesmo ambiente.

O que será que ocorre? Será que os cães europeus são mais educados do que os nossos, como escrevi recentemente em outro post, quando em Budapest? Ou será que o hábito de freqüentar bons lugares torna os peludos naturalmente mais sutis e refinados.

Creio serem as duas coisas. Lá, eles são tratados como gente, e como tal se comportam. Ao receberem uma educação rígida, embora sempre carinhosa, e ainda terem a oportunidade de interagir com mais e mais pessoas, de duas ou quatro patas, esses amiguinhos vão-se polindo, até que não estranham um ambiente silencioso ou a presença de seus parceiros deitados sob as mesas a apreciar o movimento.

Podemos levar esse aprendizado para nós, animaizinhos quase pelados de duas patas. O quanto mais nos educamos, polimos, estudamos, mais nos sentimos à vontade em ambientes refinados. E o quanto mais nos expomos a esses ambientes, mais educados e polidos ficamos.

É um círculo virtuoso de autoaprimoramento constante. Claro que isso é muito mais fácil quando começa na infância. Sob a responsabilidade dos pais, as crianças podem crescer educadas ou não, conscientes do mundo à sua volta ou alheios em suas ideias confusas sem chegar a lugar algum. Mas mesmo depois de adultos, embora mais difícil, essa tarefa é possível, e começa pela simples vontade de melhorar.

Portanto, sigamos o exemplo dos cães europeus e aprendamos a sermos sutis em todas as circunstâncias. Até porque estamos longe de levar nossos cães a ambientes fechados, aos quais muitas vezes não queremos levar nem nossos abusados amigos da mesma espécie…

 

Rodrigo DeBona