ANTES DE PARTIR… SAPATEIE

É mais fácil morrer do que continuar vivo

Esta semana acordei com a seguinte pergunta na cabeça: E se hoje fosse meu último dia?

Refleti sobre a questão e, algum tempo depois de ter caído algumas fichas decorrentes dela, desci para tomar o café da manhã e foi quando ouvi a notícia do acidente aéreo no meio da cidade de Santos. Foram 7 mortes, todas imprevistas, tal como em qualquer acidente desses.

Nesta mesma semana, estava passando pela sala antes de ir para cama, quando vi o Morgan Freeman na TV. Parei para ver qual o filme, geralmente são bons, e era dos melhores: The Bucket List (Antes de Partir ou Nunca É Tarde Demais). Desisti de ir dormir, preferi assistir ao filme pela terceira vez. E talvez tenha sido essa a razão daquela pergunta, logo alguns dias depois, ao despertar.

Dona Morte me acompanha sempre, como faz com todos nós, mas se aproximou um pouquinho mais desde o filme até surgir esse texto, por sorte, não para me levar, como havia imaginado naquela manhã, mas apenas para fazer-se sentir presente com seu belo aroma, estimulante de reflexões profundas, naqueles que bem as apreciam.

Das reflexões, surgiram duas coisas que desejo compartilhar com você.

Estimulada pelo lado filosófico prático, criei a minha própria bucket list, ou seja, a lista de coisas que eu realmente quero fazer antes de morrer…

Este exercício foi sugerido pelo professor de Filosofia do personagem de Freeman no filme, quando ele ainda estava no colégio. Afinal, uma idéia dessas só podia mesmo partir desse povo da Filosofia :p Sabe esses caras que ao invés de fazer qualquer outra coisa pra “ganhar a vida”, preferem ficar fazendo perguntas realmente importantes?! No final, acabam a ganhando verdadeiramente ou perdendo totalmente…

À beira da morte, o personagem resolve retomar a lista sugerida pelo professor e é em cima dela que corre o desenrolar da trama.  Eu, como uma bela estudiosa, talvez de meia-tigela, das questões filosóficas, resolvi fazer a tal da lista também! E olha… recomendo para todos. Sabe que desenterrei sonhos simples e dos mais importantes (como, muitas vezes, é a simplicidade) e os trouxe à tona para dar um belo trato?! Novas metas foram estabelecidas, enquanto antigas foram descartadas.

Deste simples exercício, pode acontecer uma bela guinada no barco da sua vida. Se tiver medo de guinadas, vá em frente, pois você é daqueles que mais delas precisam.

Já do meu lado filosófico especulativo, surgiu, obviamente, uma nova pergunta, pois é isso o que a Filosofia faz: perguntas…

É mais fácil morrer do que continuar vivo?

Há como interpretar a indagação de diversas maneiras. Sugiro a seguinte:

O ser vivo é frágil, acompanha-se da morte o tempo todo. O humano ilude-se com a ideia de que após um dia de vida seguirá-se outro. Pensa na velhice como um fracasso e não como uma vitória. Mas, se mudasse a forma de análise poderia concluir que manter-se vivo é tornar-se um sobrevivente das infindáveis batalhas diárias. E que, por isso, há razões mais do que suficientes para se satisfazer com a sorte da existência e, além disso, usar do tempo que não sabemos se teremos com vivências realmente dotadas de algum sentido, não racional, mas, puramente existencial, sensível e intuitivo.

Eu quero fazer sapateado. E você?

Viviane Bettencourt

https://www.facebook.com/viviane.bettencourt